Para Edson Braga, empresas, métodos, rotinas e estruturas podem deixar de ser instrumentos e se transformar em prisões quando o fundador perde a capacidade de questionar aquilo que um dia construiu

Existe um momento em que a relação entre uma pessoa e aquilo que ela construiu pode começar a se inverter.

A empresa continua funcionando.

Os projetos seguem.

As contas fecham.

Os resultados aparecem.

Externamente, não existe necessariamente uma crise.

Mas alguma coisa muda por dentro.

Para Edson José Bandeira Braga Filho, também conhecido como Edson Braga, esse é um dos momentos mais delicados da vida pessoal e empresarial: quando aquilo que foi criado para servir começa lentamente a exercer controle sobre quem criou.

Em uma reflexão sobre empreendedorismo, identidade e consciência, Edson chama atenção para um risco pouco percebido.

Nem toda prisão nasce de um fracasso.

Algumas são construídas exatamente a partir de coisas que deram certo.

Todo projeto começa vivo

Empresas geralmente nascem de alguma inquietação.

Uma ideia.

Um problema percebido.

Uma oportunidade.

Uma vontade de construir.

Uma intuição.

No início, existe movimento.

Curiosidade.

Perguntas.

Experimentação.

Segundo Edson Braga, essa fase possui uma característica importante: a estrutura ainda está subordinada ao propósito.

O método existe para servir ao objetivo.

A empresa existe para materializar determinada visão.

As regras ainda podem ser revistas.

Tudo permanece relativamente vivo.

O problema começa quando a forma se transforma em identidade

Com o passar do tempo, aquilo que funcionou começa a ganhar importância.

O método que trouxe resultado vira regra.

A estratégia que produziu crescimento passa a ser repetida.

A estrutura é ampliada.

A empresa conquista reconhecimento.

Tudo isso pode ser positivo.

Mas Edson José Bandeira Braga Filho considera que existe um risco nessa trajetória.

O fundador pode começar a confundir aquilo que criou com aquilo que é.

A empresa deixa de ser apenas uma construção.

Passa a fazer parte da própria identidade.

E questionar o negócio começa a parecer o mesmo que questionar a própria pessoa.

O sucesso também pode produzir rigidez

Quando algo fracassa, existe incentivo para mudar.

Quando funciona, mudar se torna mais difícil.

Por quê alterar aquilo que continua produzindo resultado?

Essa pergunta parece racional.

Mas Edson Braga considera que o fato de algo ainda funcionar não significa que continuará sendo a melhor resposta para sempre.

Mercados mudam.

Pessoas mudam.

Clientes mudam.

Fundadores também.

Aquilo que levou uma empresa até determinado ponto pode não ser aquilo que permitirá atravessar o próximo ciclo.

A estrutura pode continuar crescendo enquanto a consciência diminui

Esse é um dos paradoxos destacados por Edson José Bandeira Braga Filho.

Uma empresa pode aumentar faturamento, equipe e presença de mercado enquanto seu fundador perde progressivamente a capacidade de questionar.

As decisões tornam-se automáticas.

Os métodos deixam de ser discutidos.

A cultura começa a considerar perguntas como ameaças.

O que inicialmente foi construído para facilitar crescimento passa a limitar novas possibilidades.

Nesse cenário, a empresa cresce.

Mas a capacidade de reflexão diminui.

O ego nem sempre aparece como vaidade

Normalmente, ego é associado a arrogância evidente.

Exibição.

Necessidade de reconhecimento.

Superioridade.

Mas Edson Braga apresenta uma forma mais silenciosa.

O ego também pode aparecer como certeza excessiva.

A convicção de que aquilo que funcionou uma vez sempre funcionará.

A resistência em ouvir.

A necessidade de proteger decisões antigas.

A dificuldade de reconhecer que determinada estrutura precisa evoluir.

Nesse sentido, ego pode parecer segurança.

Controle e segurança não são sinônimos

Uma das maneiras pelas quais essa rigidez aparece é através do controle.

Quanto maior a empresa, maior pode ser a vontade do fundador de preservar exatamente aquilo que construiu.

Centralizar.

Acompanhar tudo.

Impedir mudanças consideradas perigosas.

Mas Edson José Bandeira Braga Filho destaca que controle excessivo pode produzir justamente o efeito contrário.

A empresa perde autonomia.

Novas lideranças deixam de surgir.

Decisões ficam concentradas.

O fundador se transforma no principal gargalo da organização.

A vida pessoal também pode entrar no automático

Esse fenômeno não acontece apenas nas empresas.

Edson Braga observa que pessoas também podem permanecer presas a versões antigas de si mesmas.

Hábitos.

Crenças.

Relacionamentos.

Formas de pensar.

Uma identidade que funcionou bem em determinada fase pode continuar sendo repetida muito tempo depois de perder sentido.

A justificativa costuma ser simples:

“Eu sempre fui assim.”

Mas, para Edson, essa frase pode esconder uma pergunta que deixou de ser feita.

“Eu ainda quero ser assim?”

Nem toda lógica é realmente racional

Outro ponto importante da reflexão está nas justificativas que criamos para manter determinadas estruturas.

Algumas crenças aprendem a falar a linguagem da lógica.

“Esse não é o momento.”

“Não podemos mudar agora.”

“É assim que o mercado funciona.”

“Sempre fizemos dessa maneira.”

Essas afirmações podem ser verdadeiras.

Mas também podem esconder medo.

Apego.

Insegurança.

Para Edson José Bandeira Braga Filho, maturidade exige investigar a origem das próprias certezas.

Hábitos eficientes também podem se tornar limitações

A eficiência é valorizada no mundo empresarial.

Processos existem justamente para evitar que tudo precise ser reinventado diariamente.

Mas existe uma diferença entre criar um processo e tornar-se subordinado a ele.

Segundo Edson Braga, métodos deveriam continuar sendo ferramentas.

Quando a empresa começa a proteger determinado método mesmo depois de ele deixar de servir ao objetivo, ocorreu uma inversão.

A ferramenta passou a comandar.

O risco não é apenas fracassar

Empreendedores costumam se preocupar com riscos evidentes.

Perder dinheiro.

Perder clientes.

Errar uma expansão.

Fracassar em uma aquisição.

Mas Edson José Bandeira Braga Filho aponta um risco menos visível:

parar de perceber.

Parar de perceber que a cultura mudou.

Que a empresa perdeu parte da essência.

Que os funcionários já não conseguem questionar.

Que o fundador está repetindo decisões.

Que o propósito foi substituído pela manutenção da própria estrutura.

Esse tipo de risco pode permanecer durante anos sem gerar uma crise imediata.

É possível estar funcionando e ainda estar desalinhado

Esse talvez seja um dos pontos mais desconfortáveis.

Nem todo desalinhamento produz prejuízo imediatamente.

Uma empresa pode continuar lucrativa.

Uma carreira pode continuar reconhecida.

Uma pessoa pode manter boa reputação.

Ainda assim, existe a possibilidade de algo ter deixado de fazer sentido.

Para Edson Braga, funcionamento e coerência não são necessariamente a mesma coisa.

Algo pode funcionar sem representar completamente aquilo que deveria.

Não estar em crise não significa estar inteiro

Quando existe uma crise explícita, a necessidade de mudança fica evidente.

Mas e quando tudo parece relativamente bem?

Para Edson José Bandeira Braga Filho, esse pode ser um momento ainda mais difícil.

Não existe urgência externa.

Só existe uma inquietação interna.

Uma sensação de que algo está sendo mantido mais por hábito do que por escolha.

A pessoa sobrevive bem.

Produz.

Cumpre responsabilidades.

Mas já não habita integralmente aquilo que construiu.

O verdadeiro conflito pode estar entre consciência e repetição

Normalmente, pensamos a vida em termos de sucesso e fracasso.

Ganhou ou perdeu.

Cresceu ou diminuiu.

Funcionou ou não funcionou.

Edson Braga propõe outra perspectiva.

Talvez exista um conflito anterior:

consciência ou repetição?

Uma empresa pode ter sucesso enquanto repete padrões que futuramente se tornarão problemas.

Uma pessoa pode atravessar determinada fase sem fracassar, mas também sem perceber que parou de evoluir.

Quando o criador vira funcionário da própria criação

Uma das imagens mais fortes da reflexão de Edson José Bandeira Braga Filho é a do fundador que passa a servir aquilo que criou.

No início, a empresa é uma ferramenta.

Depois, ela começa a exigir cada vez mais.

O fundador passa a proteger estruturas.

Manter aparências.

Sustentar rotinas.

Preservar decisões antigas.

Até que percebe que já não escolhe livremente.

A organização determina seu tempo.

Sua identidade.

Suas decisões.

Sua forma de viver.

O criador tornou-se funcionário da própria criação.

O fundador também pode se tornar guardião do passado

Empresas precisam de memória.

História.

Cultura.

Mas existe diferença entre respeitar a história e transformar o passado em regra permanente.

Para Edson Braga, um fundador pode se tornar excessivamente comprometido com aquilo que funcionou antes.

Nesse momento, passa a proteger mais o passado do que preparar o futuro.

Cada mudança parece ameaça.

Cada nova ideia parece crítica.

A organização começa a envelhecer na mesma velocidade em que suas certezas endurecem.

Liberdade não exige destruir tudo

Reconhecer esse processo não significa abandonar empresas ou romper estruturas.

Edson José Bandeira Braga Filho não apresenta mudança como destruição.

Para ele, liberdade pode começar de maneira muito mais simples.

Lembrando.

Lembrando por que aquilo foi criado.

Para quem.

Com qual finalidade.

E quais elementos eram apenas meios para atingir determinado objetivo.

Estruturas são ferramentas, não deuses

Uma empresa pode ser importante.

Um método também.

Uma estratégia pode gerar décadas de resultado.

Mas nenhum desses elementos deveria tornar-se intocável.

Para Edson Braga, estruturas existem para servir.

Quando precisam ser protegidas independentemente de sua utilidade, existe risco de idolatria organizacional.

A empresa passa a existir para preservar a própria empresa.

O processo para proteger o processo.

E o propósito original começa a desaparecer.

Crescimento sem consciência pode virar uma prisão elegante

Nem toda prisão parece ruim.

Algumas possuem escritórios bonitos.

Receita.

Prestígio.

Reconhecimento.

Status.

Essa é justamente a dificuldade.

Para Edson José Bandeira Braga Filho, uma estrutura pode proporcionar conforto e ainda assim limitar profundamente quem a sustenta.

O crescimento, quando não acompanhado de consciência, pode ampliar responsabilidades sem ampliar liberdade.

Maturidade é conseguir revisar aquilo que funciona

Talvez seja relativamente simples mudar algo que deu errado.

Muito mais difícil é olhar para algo que funciona e dizer:

“Isso ainda pode evoluir.”

Edson Braga considera essa postura uma forma de maturidade.

Não desprezar aquilo que foi construído.

Mas também não permitir que o sucesso passado impeça novas possibilidades.

Reconhecer:

Isso funcionou.

Foi importante.

Trouxe resultados.

Mas não precisa representar a resposta definitiva.

Quem somos hoje não precisa nos definir para sempre

A mesma lógica vale para a identidade.

Uma pessoa pode reconhecer quem se tornou sem acreditar que chegou à forma final.

Para Edson José Bandeira Braga Filho, amadurecer não é cristalizar a identidade.

É desenvolver capacidade de mudar sem perder a essência.

Há valores que permanecem.

Mas comportamentos podem evoluir.

Métodos mudam.

Prioridades também.

O líder desperto utiliza o sistema sem se ajoelhar diante dele

Segundo Edson Braga, uma liderança mais consciente consegue manter uma relação equilibrada com estruturas.

Utiliza métricas.

Mas não transforma números na única medida de valor.

Constrói autoridade.

Mas não utiliza poder para impedir questionamentos.

Busca escala.

Mas não destrói a essência em nome do crescimento.

Cria processos.

Mas permite que eles sejam revisados.

Nesse modelo, o sistema continua sendo instrumento.

Toda estrutura precisa de limites

Empreendedores frequentemente criam mecanismos para limitar riscos.

Governança.

Controles financeiros.

Políticas.

Auditorias.

Mas Edson José Bandeira Braga Filho destaca que o próprio sistema criado também precisa possuir limites.

Nenhuma estrutura deveria ganhar poder suficiente para impedir sua própria revisão.

Essa ideia vale para empresas e para a vida.

Toda construção precisa continuar subordinada à consciência.

O maior erro talvez seja esquecer a fonte

Antes da empresa, existia uma ideia.

Antes do método, uma necessidade.

Antes da estrutura, um propósito.

Edson Braga chama esse ponto de origem de “fonte”.

Quando a conexão com ela é perdida, o risco aumenta.

O empresário começa a acreditar que a estrutura é o propósito.

Que o resultado é a identidade.

Que aquilo que criou deve continuar existindo apenas porque foi criado.

Lembrar devolve liberdade

A transformação não precisa ser dramática.

Às vezes começa com uma pergunta.

“Por que fazemos isso?”

“Isso ainda serve?”

“Eu ainda acredito nisso?”

“Essa estrutura continua representando aquilo que desejamos construir?”

Para Edson José Bandeira Braga Filho, perguntas desse tipo podem interromper automatismos.

E quando o automático é interrompido, aparece novamente a possibilidade de escolher.

Empresas também precisam continuar vivas

Uma organização viva aprende.

Questiona.

Adapta.

Preserva princípios sem transformar métodos em dogmas.

Para Edson Braga, talvez essa seja uma das tarefas mais importantes do fundador depois que a empresa alcança determinado estágio.

Não apenas fazê-la crescer.

Mas impedir que o crescimento retire sua capacidade de continuar se transformando.

A empresa cresce quando o fundador continua crescendo

No final, a reflexão de Edson José Bandeira Braga Filho volta para quem lidera.

Uma empresa dificilmente permanece completamente separada das crenças e limitações de seus líderes.

Por isso, revisar a organização também pode exigir revisar a si mesmo.

Que certezas se tornaram rígidas?

Que padrões são repetidos?

Que identidade está sendo protegida?

Que parte da empresa existe porque ainda faz sentido e qual permanece apenas porque mudar parece desconfortável?

Talvez o maior risco não seja aquilo que construímos dar errado.

Pode ser aquilo que construímos dar tão certo que deixemos de questioná-lo.

Nesse momento, a obra deixa de ser ferramenta e começa a moldar silenciosamente seu criador.

Para Edson Braga, maturidade está em impedir essa inversão.

Continuar construindo sem ser aprisionado pela construção.

Criar estruturas sem adorá-las.

Preservar história sem se tornar refém dela.

E lembrar, continuamente, que uma empresa deveria ser expressão de um propósito — não substituta dele.

Porque aquilo que construímos inevitavelmente nos transforma.

A verdadeira responsabilidade está em garantir que essa transformação também nos torne mais conscientes, mais livres e mais inteiros.

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