O crescimento do mercado de luxo no Brasil tem aberto espaço para modelos de negócio que vão além da simples venda de produtos premium. Nesse contexto, o empresário carioca Raoni Soares construiu uma operação baseada na combinação entre eletrônicos de alto padrão, personalização extrema e marketing de influência ancorado em celebridades do futebol. O resultado é um modelo com forte apelo simbólico, alta visibilidade e margens elevadas.

Fundador de uma empresa especializada em eletrônicos de luxo personalizados, como iPhones e fones de ouvido banhados a ouro, Raoni posicionou seus produtos em um nicho onde o valor não está apenas no material empregado, mas na associação direta com ídolos esportivos de alcance global. Nomes como Neymar Jr., Gabigol, Vinícius Júnior, Emerson Sheik e Romário tornaram-se peças centrais na estratégia de branding do negócio.

A lógica financeira é clara: ao inserir o produto na rotina e na imagem pública de atletas com dezenas de milhões de seguidores, a marca amplia seu alcance orgânico, reduz custos tradicionais de mídia e eleva a percepção de exclusividade. Cada item personalizado funciona como uma ação de marketing contínua, com retorno diluído ao longo do tempo por meio de exposição espontânea nas redes sociais e na imprensa.

Um dos marcos dessa estratégia ocorreu em 2022, quando Raoni viajou a Paris para entregar pessoalmente um celular exclusivo em ouro a Neymar Jr. A ação consolidou uma parceria que ganhou novo fôlego em 2024, quando o empresário tatuou no braço o autógrafo do jogador, gesto que viralizou e gerou ampla repercussão midiática. Episódios como esse reforçam a construção de narrativa, elemento essencial no consumo de luxo contemporâneo.

Do ponto de vista financeiro, o modelo se sustenta em campanhas de alto valor agregado. Segundo o empresário, cada ação envolvendo influenciadores ou atletas de grande projeção pode gerar faturamento próximo a R$ 2 milhões, considerando vendas diretas, visibilidade e fortalecimento de marca. No mercado brasileiro, alguns modelos de fones de ouvido personalizados chegam a R$ 6,5 mil, sem incluir o custo adicional da customização, que em determinados projetos é realizada por empresas especializadas de Dubai.

Com mais de sete anos de experiência no setor de vendas, Raoni estruturou a empresa com foco em controle de custos e reinvestimento estratégico. Essa disciplina financeira permitiu manter a operação enxuta, ao mesmo tempo em que viabilizou parcerias de alto impacto. “Mais do que vender luxo, entregamos valor afetivo e simbólico”, afirma, destacando que a precificação está diretamente ligada à percepção de exclusividade e pertencimento.

O interesse do mercado por esse tipo de produto ficou evidente quando a própria Forbes Brasil publicou a matéria “Quanto custam os AirPods Max banhados a ouro de Neymar?”, evidenciando como a associação entre celebridades e luxo cria novas dinâmicas de consumo e monetização. Nesse modelo, o produto deixa de ser apenas um item tecnológico para se tornar um ativo de imagem.

Agora, o próximo movimento estratégico é a expansão internacional. Raoni planeja ampliar o portfólio de embaixadores da marca e estabelecer parcerias com clubes europeus, mirando mercados onde o futebol movimenta cifras bilionárias e onde o consumo de luxo já está consolidado. A internacionalização surge como um passo natural para um negócio cuja proposta depende de escala simbólica e alcance global.

A trajetória de Raoni Soares revela como o luxo contemporâneo opera cada vez mais próximo da economia da atenção. Ao transformar celebridades em vetores de marca e produtos em narrativas, o empresário construiu um modelo de negócio que alia alta margem, visibilidade contínua e potencial de expansão, posicionando-se em um segmento onde exclusividade e estratégia caminham lado a lado.